Editorial (por Pe. José Potter)

10:07 - Não comentado

É uma grande alegria estar aqui novamente junto com vocês, onde deixei uma parte do meu coração.

Meus queridos irmãos e irmãs, todos nós estamos muito preocupados com a tamanha violência no Brasil, em nossa Diocese, na nossa Cidade, no mundo inteiro. São assaltos, roubos ou omicídios, ataques sexuais, etc. Este ano o Lema da Campanha da Fraternidade foi: "Fraternidade e Segurança Pública", tendo em vista, a necessidade de defender a sociedade contra essa violência, mais ainda como cristãos, devemos não só defender a sociedade mas combater a violência, acabar ou pelo menos diminuí-la. Combater a violência é oferecer condições dignas de vida para os excluídos. Pergunta-se: Quais são esses excluídos? Os pobres, os palpérrimos, uma grande porcentágem dos brasileiros são pobres, mas muitos são mais que pobres, vivem em miséria.
Eu cheguei dos Estados Unidos, na semana passada, e lá eu entrei num supermercado e vi um corredor cheio de comida para gatos e cachorros, e quando eu tocou o meu coração, porque eu sei que uns desses animais, lá nos Estados Unidos, comem melhor que muitos de nossos queridos brasileiros. Gente, pobreza, miséria, é alguma coisa horrível, não é apenas ser despojado de coisas materiais: dinheiro, roupa, comida... é muito mais, miséria é ser despojado de uma vida digna de cada pessoa humana, por exemplo os palpérrimos, essas pessoas excluídas nunca tem a oportunidade de comer juntos como família, partilhando a comida, o amor, os talentos, paz, desenvolvendo os relacionamentos humanos, os pais ensinando os filhos, partilhando sua fé, ensinando valores ao redor da mesa, eles nunca tem essa oportunidade, por que? Porque nunca tem bastante comida para uma ceia familiar, também não tem espaço na casa, não tem mesa e cadeira suficiente, se tiverem só feijão uma noite, nós sabemos, é um banquete para eles ou só arroz, ou as vezes só o pão e outras vezes as crianças vão dormir com fome. Gente, este tipo de miséria gera violência, eu repito, este tipo de miséria gera violência e essa violência vai se aumentando cada dia e vai continuar a aumentar se nós não fizermos alguma coisa. Interessante, muitas vezes nós que nascemos numa família equilibrada não entendemos o que é miséria, eu mesmo não entendi, por exemplo: eu nasci numa família pobre durante a grande depressão dos Estados Unidos, mas pelo menos eu tinha o essencial para a felicidade, eu tinha muito amor e comida simples, mas comida e partilhando nossa comida no jantar cada noite com meus pais que nos ensinaram, ao redor da mesa, os valores humanos e que tomaram o tempo e nos acompanharam nos estudos, no lazer, nas brincadeiras infantis, em outras palavras, nós que somos de famílias equilibradas, muitas vezes nós não pudemos entender o que é pobreza, miséria, os excluídos. Nestas famílias palpérrimas, meus irmãos, minhas irmãs, os filhos chegando a 13, 14 anos, não vendo nenhuma esperança para o futuro, tornam-se vítimas da sociedade e o ciclo vicioso da miséria continua. As moças, muitas vezes, ficam grávidas ou se prostituem e os rapazes se dão às drogas com a consequente violência em nossa sociedade. O que é que vamos fazer? Uns dizem: iremos aumentar a polícia para colocar todos na prisão, jogando fora as chaves, assim gente, dentro de pouco tempo não teríamos suficientes prisões para acomodar todos e a violência vai aumentar ou vamos fazer nada, dizendo: eu não causei miséria, eu não posso responder, eu não sou responsável. Outros dizem: eles são preguisozos, eu conheço outros que saíram da pobreza, se eles estudassem, se eles procurassem sair da miséria trabalhando, a situação seria diferente. Será? Gente, estas são desculpas de pessoas que não entendem como a miséria escraviza uma pessoa, um ou outro poderia até sair, mas a grande maioria são escravos da miséria e esta nossa atitude, de só acusar, divide a sociedade entre amigos e inimigos. Nós aqui e aqueles do outro lado e com esta atitude nunca vamos procurar meios de combater essa violência. Gente, devemos ouvir o que Jesus falou no Evangelho: "Amem os seus inimigos e façam o bem para eles". São Paulo dizia, também, em Romanos: "Não deixem que o mal vençam vocês mas vençam o mal com o bem." É verdade que nós não podemos acabar com a violência num mês, num ano, talvez nem em muitos anos, mas, devemos começar a combater esta violência favorecendo condições dignas de vida para os excluídos, devemos praticar a regra de ouro encontrada no sermão da montanha em São Mateus: "Faça aos outros o que você quer que eles façam a você." Para favorecer condições dignas de vida para os excluídos eu tenho algumas sugestões, vocês terão outras, eu acho que nas comunidade nós devemos pensar nisso e fazer essa opção pelos pobres, pelos excluídos. Primeira sugestão: Vamos tratar cada pessoa, como tratamos amigos ou pessoas ricas, profissionais, amigos, membros de família, até pessoas rudes, analfabetos e ignorantes, sujos, excluídos, a maneira que nós tratamos as pessoas, muitas vezes, expressa nossa atitude, por nosso gesto não verbal. Me lembro uma vez nos Estados Unidos, um preto falou comigo: "Padre, quando eu passo por alguém na rua, as vezes seu olhar a sua expressão no rosto, revela sua atitude para comigo". Gente, um sorriso para cada pessoa em que nós encontrarmos ajuda muito se torna uma graça. E segundo: pagar um salário justo. Nós sabemos que os pobres trabalham por quase nada, eles trabalham só para subsistir, fazem coisas por salários que nós não iríamos nem começar, será que aproveitamos essa situação de tantos pobres que precisam de trabalho para explorá-los? Devemos examinar a nós mesmos. Terceiro: um conselho aos professores e professoras, vocês são pessoas importantes, por que esta educação que nós precisamos, essa instrução passa por vocês, preparem bem suas aulas, não deixem nenhuma aula vaga, vemos tantas aulas vagas em nossas escolas. Dêem atenção especial e ajuda particular aos filhos e filhas dessas pessoas mais pobres. Interessante, hoje, quando eu visitei a Creche São José, vi crianças de famílias mais pobres falando no microfone, lendo publicamente, tocando instrumentos musicais, esse é um exemplo de como tratar bem os pobres, é uma auto-estima para estas crianças, começa a levar estas crianças para frente, isso começa a acabar com a violência. Irmãos e irmãs, celebrando essa Novena e Festa de Nossa Senhora do Rosário, queremos pedir a nossa mãe, suas orações e sua ajuda, ela nos leva a seu Filho Jesus, nos ajuda a escutarmos a Ele. Para Jesus não existe uma divisão, nós aqui que somos os "bons" e eles que são os "maus". Somos uma família em Jesus Cristo. Jesus disse: "Eu vim para os pecadores. Os bons não precisam de médicos". Pela intercessão da Maria do Rosário, nós somos chamados para fazer a nossa parte, para pelos menos, iniciar um programa para diminuir a violência em nosso meio. Se nós, os "bons", não fizermos nada a violência vai crescer e os nossos filhos, netos e bisnetos, vão herdar uma sociedade muito pior que a nossa. Meus irmãos, minhas irmãs, vamos combater a violência em nosso meio favorecendo condições dignas de vida para nossos queridos excluídos. Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.

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Administração

Pastoral da Comunicação - Paróquia Nossa Senhora do Rosário, Remanso/BA - Diocese de Juazeiro/BA

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