DESIGUALDADE SOCIAL E O DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

08:19 - Não comentado



O dia da Consciência Negra deve ser celebrado por todos os brasileiros que almejam um Brasil mais justo. A promoção da igualdade racial possibilita, ao mesmo tempo, a redução da desigualdade social. É só lembrarmos que 70% da população pobre do Brasil é constituída por pessoas de pele negra.
O racismo brasileiro foi construído ao longo dos mais de 300 anos de escravidão e persiste até hoje. Mas como podemos percebê-lo?

O senador e professor Cristovam Buarque da tribuna do Senado Federal fez a seguinte observação: se tirássemos uma fotografia do Brasil visto de cima notaríamos que as melhores escolas do país são ocupadas por estudantes de pele branca, enquanto que nas piores percebe-se uma presença maior de negros. Se continuássemos a nossa observação perceberíamos que as profissões mais bem pagas também são ocupadas por brancos (as), enquanto que nos presídios os detentos, em sua maioria, são pretos ou algo parecido.

Esta triste situação é consequência da escravidão, cuja abolição em 1888 não foi capaz de inserir totalmente o negro na sociedade, visto que o Estado não criou as condições necessárias para garantir a ele o mínimo de cidadania. Pelo contrário, o governo brasileiro, controlado pela oligarquia do café desde o Segundo Reinado, tomou uma série de medidas responsáveis pelo aprofundamento da marginalização do pobre, negro, ex-escravo ou descendente de escravo, como é o caso da Lei de Terras de 1850. 

Para acabar com o racismo devemos pensar e trabalhar pelo um país que ofereça escola pública e de boa qualidade a seus cidadãos, sejam eles pobres ou ricos, pretos ou brancos. É a universalização do ensino público e de qualidade a responsável pela construção de um Brasil mais justo, onde as oportunidades de um futuro mais digno serão dadas a todos de forma igual. As cotas para o acesso do negro à universidade são importantes e fundamentais neste momento, no entanto temos que garantir que o estudante da escola pública conclua os seus estudos básicos para poder concorrer em pé de igualdade a uma vaga na universidade. Ademais, é preciso garantir a permanência do negro pobre na universidade e para isso devemos continuar, melhorar e aprofundar as políticas de distribuição e acesso à renda.

Em 1988 alcançamos, com a promulgação da Constituição, a democracia política, ainda em fase de aprimoramento, mas a situação excludente de boa parte da população brasileira, em especial a negra, nos mantém ainda bastante distante da tão sonhada democracia social. Para atingi-la devemos abraçar e nos solidarizar com a luta da comunidade negra, luta essa que não é de uma minoria, pois os negros correspondem a 50,6% da população brasileira, mas de uma maioria que deseja uma sociedade mais livre, justa e igualitária.             

  • Compartilhe este post:

Administração

Pastoral da Comunicação - Paróquia Nossa Senhora do Rosário, Remanso/BA - Diocese de Juazeiro/BA

Recent Posts

0 comentários:

ATENÇÃO:

Deixe aqui seu comentário. Fique à vontade para opinar ou somente dizer o que achou do artigo!

Proibido deixar dados pessoais como Email, MSN, Telefone, Endereço, etc.
Por favor não use palavras agressivas.
Não faça Spam.

Boletim informativo

Cadastre-se agora para receber as últimas notícias de nosso site!

Powered by Blogger.
back to top