OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL E A EVANGELIZAÇÃO

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Neste período de comemoração dos 50 anos da realização do Concílio Ecumênico Vaticano II (1962-1965), a Pascom da paróquia Nossa Senhora do Rosário de Remanso/BA recomenda a leitura do livro As janelas do Vaticano II: a Igreja em diálogo com o mundo, recentemente lançado pela Editora Santuário.

A obra é um conjunto de artigos de teólogos da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, bem como de teólogos da Faculdade Dehoniana de Taubaté-SP. Os textos são reflexões sobre cada um dos documentos elaborados durante o concílio e que orientam a caminhada da Igreja Povo de Deus. Dentre os artigos, a Pascom destaca aquele que reflete sobre a comunicação, Os meios de comunicação social e a evangelização, escrito pelo presbítero da Arquidiocese de São Paulo e doutor em Teologia, o professor Tarcísio Justino Loro.

Os Meios de Comunicação Social (MSC) são veículos imprescindíveis na missão da Igreja em anunciar a Boa-Nova do Evangelho de Jesus Cristo. Por isso, o concílio viu a necessidade de se elaborar um Decreto que trata justamente da comunicação: o Inter Mirifica. Nele, a Igreja, sobretudo os leigos, é convidada a comunicar, de maneira eficiente e eficaz, o conteúdo do Evangelho, usando, para isso, as várias formas de comunicação utilizadas pelo ser humano pós-moderno: rádio, televisão, internet etc. Porém, para que a comunicação do conteúdo do Evangelho seja de fato anunciada com verdade, é preciso que os comunicadores tenham a postura e a formação necessárias para a difícil missão de evangelizar o mundo. Neste sentido, aprofundar-se no mistério da Santíssima Trindade, bem como no mistério da Encarnação se torna condição sine qua non, pois somente contemplando a Trindade e a Encarnação, compreendemos que a comunicação é comunhão, que acontece quando nos tornamos sensíveis ao outro, isto é, atentos em entender a linguagem específica de cada meio a ser evangelizado.

Transcreveremos a seguir algumas passagens do texto do professor Tarcísio Justino Loro que nos ajuda a compreender melhor a relação entre comunicação e evangelização dentro da visão do Concílio Vaticano II:

"Os MCS e a evangelização estão profundamente interligados: de um lado, os instrumentos indispensáveis ao processo comunicativo, e de outro, o conteúdo evangelizador a ser veiculado.

O modelo a ser seguido em toda a trajetória da Igreja em relação à comunicação se encontra na Trindade. A Teologia da Comunicação reflete sobre esta questão, mostrando que a comunicação trinitária deve ser o modelo a ser alcançado pelos homens. As três Pessoas trinitárias se comunicam eternamente na reciprocidade do amor infinito e no respeito à diversidade nascida da identidade de cada Pessoa. Na economia da salvação contemplamos um Deus que anseia partilhar com a obra criada as riquezas de seu amor benevolente,

A comunhão da Santíssima Trindade não é fechada sobre si mesma. Ela se abre para fora. Toda criação significa um desdobramento de vida e de comunhão das três divinas Pessoas, convidando todas as criaturas, especialmente as humanas, para também entrarem no jogo da comunhão entre si com as divinas. (BOFF, L. A Santíssima Trindade é a melhor comunidade. 4 ed. Petrópolis: Vozes, 1996, p. 20.)

Na vida da Trindade tudo é relação de amor, de gratuidade, de alteridade. Há uma relação de comunhão não somente como elemento fundante do encontro entre as pessoas divinas, mas como princípio vital.

No princípio está não a solidão de Um, de um Ser eterno, sozinho e infinito. Mas, no princípio, está a comunhão dos três Únicos. A Comunhão é a realidade mais profunda e fundadora que existe. É por causa da comunhão que existe o amor, a amizade, a benquerença e a doação entre as pessoas humanas e divinas. (Ibidem, p. 29)

As Sagradas Escrituras, como também toda criação, revelam-nos um Deus comunicador. Ele não restringe a sua comunicação da riqueza divina, mas extrapola o mundo íntimo da Trindade, para dialogar com os seres humanos, a fim de transmitir-lhes amor e potencializá-los para o amor.

O Deus da revelação judaico-cristã não é somente um Deus comunitário e comunicado para o interior de si mesmo. É um Deus “extrovertido”, um Deus que sai de si mesmo e se projeta para além de si mesmo em gestos sucessivos de comunicação. (DIEZ, F. M. Teologia da Comunicação. São Paulo: Paulinas, 1997, p. 51)

Ao longo da história, Deus utilizou diversas formas de comunicação para dialogar com a humanidade. Dentre elas, destacamos a Palavra e os Sinais dos Tempos. Sem dúvida, Deus busca sempre se comunicar com seus filhos, deseja estabelecer com eles relações de amor em busca da justiça e da paz. A vocação à comunicação de todos os seres humanos está na raiz de sua criação, chamados a comunicar como Deus se comunica. Na Trindade não há exclusão, mas perfeita intercomunhão de amor. Este deve ser o paradigma a nortear a comunicação entre as pessoas humanas. A comunicação amorosa da verdade na busca da verdadeira justiça e paz. É a partir deste princípio que o homem recupera a originalidade da comunicação humana – ‘Façamos o homem a nossa imagem e semelhança’ (Gn 1, 26). O ser humano está destinado a imitar, ainda que de modo imperfeito, a Trindade. O paradigma da comunicação humana se encontra no interior da Trindade. Por isso, é com esta base teológica que o ser humano deve construir sua ação comunicadora. E é sobre esta mesma base que a Igreja deve orientar os Meios de Comunicação Social.

Outro elemento teológico de extrema importância para compreendermos a teologia da comunicação vamos encontrar na encarnação, que é o ápice da autocomunicação de Deus pelo Espírito.

A pedagogia divina da comunicação conhece seu ápice no mistério da encarnação. Deus não limitou sua comunicação à mediação da palavra ou da imagem. Ele a levou até o limite insuspeito da encarnação. Deus assumiu a condição humana, encarnou-se, para que um homem, Jesus de Nazaré, fosse pessoalmente a Palavra e a imagem do Deus invisível. Na encarnação, a Palavra e a imagem adquirem toda a sua função reveladora e comunicadora. A encarnação é o nível mais alto da comunicação entre Deus e o homem. Em Cristo, Deus dá-se a conhecer plenamente. Ele é a exegese de Deus. Já não é mais possível o acesso ao conhecimento e à comunicação com Deus, se não for através de Jesus, o Cristo. (Ibidem, p. 224)

O Verbo assume na encarnação os códigos humanos para que se torne possível o encontro com os seres humanos. Não apenas a língua se torna instrumento, mas também os gestos humanos, as atitudes de Jesus são conhecidas e interpretadas pelos homens de seu tempo, porque carregam a marca do comportamento quotidiano. Jesus fala, caminha, come, ora, abraça e se deixa abraçar. Todos estes canais são excelentes códigos por meio dos quais passa a mensagem do Senhor. O Papa Paulo VI ao enfatizar a importância dos meios de comunicação não anula a possibilidade do mau uso. Embora seja um bem em si mesmo, dissociado do valor moral, pode constituir-se uma ruína para a sociedade. O homem deve usar retamente estes meios para conduzir todos os homens à salvação, para promover a dignidade humana. A formação da consciência, tanto dos comunicadores como dos receptores têm importância singular. A reta consciência sobre a informação, na obtenção e divulgação, integra a verdade e a justiça. Desta forma, tocamos a primazia da ordem moral sobre a arte ou outra forma de divulgação. Os MCS devem servir ao apostolado, tarefa especialmente dedicada aos leigos."         

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Administração

Pastoral da Comunicação - Paróquia Nossa Senhora do Rosário, Remanso/BA - Diocese de Juazeiro/BA

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