‘PENSANDO O BRASIL: DESAFIOS DIANTE DAS ELEIÇÕES 2014’

11:12 - Não comentado


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) produziu um documento intitulado “Pensando o Brasil: desafios diante das eleições 2014” a fim de estimular a reflexão sobre atual conjuntura política do Brasil, bem como indicar caminhos que conduzam a medidas capazes de melhorar o exercício da política e do próprio sistema político brasileiro. Este material é também oportuno porque anima os cristãos a participarem com entusiasmo e esperança das decisões políticas do país, sem jamais negar a política, mas sim compreendê-la como meio para si chegar a uma sociedade mais justa e igualitária.  

Todo cidadão e cidadã são responsáveis pela escolha de seus representantes. O cristão, iluminado pela fé e pelo amor, deve depositar seu voto naquele e naquela comprometidos com “a universalização do acesso às condições necessárias para a vida digna de filhos de Deus”, pois nossa fé requer que “todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo. 10,10).

Nas manifestações de junho e julho de 2013 milhares de pessoas, sobretudo jovens, saíram às ruas exigindo serviços públicos de melhor qualidade. Ao mesmo tempo, manifestavam sua insatisfação com a maneira como políticos eleitos vêm exercendo o poder. Alimentadas com o sentimento de que a política é suja e se tornou um balcão de negócios espúrios, muitos brasileiros e brasileiras não acreditam mais nas instituições políticas do país. Porém, as medidas que asseguram o acesso a esses serviços tão necessários são fruto de decisões políticas. Portanto, melhor que negar a política, cada brasileiro e brasileira precisa é empenhar-se na luta pela reforma do sistema político brasileiro, defendendo “a democracia participativa como forma de ampliar os canais de participação do povo na vida política”.

“A luta pela reforma política é a maneira de os cristãos se colocarem contra um difuso sentimento de decepção e descrença na política institucional que paira na sociedade”. “Fazer a reforma política é fazer as indispensáveis mudanças nas regras eleitorais hoje estabelecidas, bem como melhorar a representação do povo nos postos políticos, além de regulamentar os instrumentos da democracia participativa, através da qual, o próprio povo brasileiro decidirá, nos temas mais profundos e de maior impacto no País, qual é o caminho a seguir”.

A liberdade de pensamento e expressão é fundamental no combate a corrupção. É necessário, portanto, que a mídia brasileira, compreendida como instrumento de poder, seja democratizada, pois “quase sempre dirigindo-se às instituições políticas de forma negativa, como se a política fosse coisa suja, onde prevalecem pessoas sem ética, a mídia reforça a descrença da população. Ao fazê-lo, deixa de favorecer uma educação popular capaz de questionar os fundamentos da ação política sem ética, o que beneficia os interessados em deixar a situação tal como está”. 

O que o povo quer é uma política mais transparente e comprometida com a vontade popular. Nesse sentido, torna-se missão cristã “contribuir para que haja um diálogo que aponte às mudanças necessárias para a consolidação de uma cidadania inclusiva, de modo a garantir que a sociedade possa participar e exercer democraticamente o poder político”.

A participação cristã e cidadã na política não deve ser reduzida ao período eleitoral, mas sim prolongar-se em um “rigoroso acompanhamento do trabalho dos eleitos, exigindo que exercitem de fato a representação que lhes foi conferida”. “Tal tarefa deve ser realizada por grupos de acompanhamento do Legislativo, nas esferas municipal, estadual e federal; por conselhos de fiscalização de políticas públicas; por interessados em compreender e popularizar os processos judiciários; e por cidadãos interessados em fiscalizar a ação dos poderes públicos e que se dispõe a sugerir e a propor políticas que atendam suas necessidades específicas. Esses grupos devem ser formados de modo apartidário e não confessional”.

Ademais, é urgente a criação de mecanismos que ampliem a participação direta do cidadão e da cidadã na política através, por exemplo, “dos preceitos constitucionais do Plebiscito, Referendo e Projeto de Lei de Iniciativa Popular, reduzindo-se as exigências para a sua realização e ampliando suas possibilidades de concretização”. Também é preciso “afastar o poder econômico das eleições, através da proibição de financiamento de candidatos por empresas (pessoas jurídicas) e implantar o financiamento democrático, público e de pessoas físicas, ambos limitados”. Não podemos permitir que haja espaço para projetos políticos “que vislumbrem retrocessos num País que ainda tem alto déficit em termos de garantia igualitária dos direitos sociais”.


A Igreja deposita muita confiança na energia transformadora da juventude. Ela espera que os jovens e a população escolham candidatos comprometidos com a melhora da qualidade de vida das pessoas, que só será garantida com emprego, escola básica de qualidade, acesso ao ensino superior, atendimento à saúde, acesso a bens e serviços e sensibilidade com as questões sociais. Tudo isso só será possível se ampliarmos os mecanismos da democracia direta e participativa, bem como aprimoramos a democracia representativa.

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Administração

Pastoral da Comunicação - Paróquia Nossa Senhora do Rosário, Remanso/BA - Diocese de Juazeiro/BA

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