COMO COMUNICAR O DOGMA DA IMACULADA CONCEIÇÃO

16:17 - Não comentado


No terceiro capítulo da “Evangelli Gaudium” que trata do anúncio do Evangelho, o papa Francisco teceu belas reflexões sobre a importância da homilia e de sua preparação. Para ele, “a homilia é ponto de comparação para avaliar a proximidade e a capacidade de encontro de um Pastor com o seu povo”. Deus deseja alcançar o coração de seu povo através das palavras do pregador. Este, portanto, assume uma grande responsabilidade perante as pessoas quando se dirige a elas para anunciar o Evangelho por meio da homilia.

A homilia não é tanto um momento de catequese e de meditação, mas sim “o momento mais alto do diálogo entre Deus e o seu povo, antes da comunhão sacramental”, afirma Francisco. E continua: “aquele que prega deve conhecer o coração da sua comunidade para identificar onde está vivo e ardente o desejo de Deus e também onde é que este diálogo de amor foi sufocado ou não pôde dar fruto”. Em seguida faz um alerta: “a homilia não pode ser um espetáculo de divertimento” e a palavra do pregador não pode ocupar um lugar excessivo no contexto da Liturgia, pois pode correr o risco de desequilibrar a harmonia da celebração litúrgica e o pregador pode acabar brilhando mais que o próprio Senhor.

Se observamos bem, estas colocações do papa Francisco vão de encontro ao ego bastante exaltado de muitos pregadores que a gente vê por aí. Na voz deles, a homilia se transforma numa “pregação puramente moralista ou doutrinadora”, transformando-se numa lição de exegese que impede a união dos corações que se amam: o do Senhor e os de seu povo.

O pregador precisa preparar uma homilia “simples, clara, direta e adaptada”. “A simplicidade tem a ver com a linguagem utilizada. Deve ser linguagem que os destinatários compreendam, para não correr o risco de falar ao vento” (EG nº 158). Uma linguagem clara e adaptada ao repertório cultural da comunidade facilita a comunicação, sobretudo quando o pregador tem que comunicar uma mensagem que muitas vezes é de difícil apreensão.

Exemplo de pregação simples e adaptada ao repertório cultural de um povo

Este exemplo está ilustrado no livro “Maria: toda de Deus e tão humana” do irmão marista Afonso Murad.

Certo dia um missionário foi celebrar a Festa da Imaculada Conceição numa comunidade do interior. Pensa consigo mesmo: “Como vou falar de mistério tão grande e complicado? Se começo com ‘Pecado Original’ e ‘Concupiscência’, vou trazer mais confusão que explicação”. Então, indo para a igreja, percebe que há muitas goiabeiras na região. Começa a pregação: “meus irmãos e minhas irmãs! Quem tem pé de goiaba em casa?”. Quase todos levantaram a mão. Ele continua:

Vocês já viram como as goiabas são saborosas, cheirosas, vermelhas e bonitas? Mas, infelizmente, as nossas goiabas têm muito bicho. O bicho de goiaba as castiga. Como seria bom se todas as nossas goiabas fossem grandes, bonitas, doces, sem bicho.

Dentro do seu projeto, Deus queria que cada um de nós fosse como uma goiabeira sem bicho. Deus sonhou que fôssemos como árvores bonitas, cheias de bons frutos de bondade, amor e justiça. Mas cada um de nós sabe que não é assim. Sentimos o pecado que nos atrapalha, como o bicho de goiaba. A festa de hoje nos dá muita esperança, pois nos diz que Deus fez uma criatura humana, do jeito que ele sonhou para todos. Uma pessoa que não se deixou contaminar pelo egoísmo, pelo comodismo, pelo orgulho, pela ilusão do poder. Uma árvore cheia de frutos bons. É claro que Maria recebeu uma benção especial de Deus. Mas ela soube desenvolvê-la, fazê-la crescer. Goiabeira sem bicho, mas sem fruto, não vale nada. Maria soube aproveitar todo o amor de Deus, que ela recebeu, e o transformou em frutos bons.

Não somos imaculados, como Maria. Temos pecados, que nos atrapalham a vida. Mas cada um recebe a graça e a benção de Deus, para ser uma árvore vistosa, com folhas, flores e frutos. Alguns têm muita erva-de-passarinho nos galhos e bicho nos frutos. Deus nos acolhe e nos ama assim mesmo, pois é misericordioso. Podemos olhar Maria e pedir a ela, que é toda cheia de Deus, que nos ajude nesta caminhada. Vamos cantar juntos:

Imaculada, Maria de Deus, coração pobre acolhendo Jesus.
Imaculada, Maria do povo, mãe dos aflitos que estão junto à cruz.
Um coração que era sim para a vida, um coração que era sim para Deus.
Um coração que era sim para o irmão, reino de Deus renovando esse chão.

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