TEMPOS MODERNOS: UMA CRÍTICA AO MODO DE PRODUÇÃO CAPITALISTA

16:09 - Não comentado



Existem filmes que se tornaram clássicos do cinema e um deles é “Tempos Modernos” do cineasta e observador da sensibilidade humana Charles Chaplin. Em cenas que retratam os conceitos de trabalho alienado, consumo alienado, lazer alienado, fordismo e taylorismo, o espectador é convidado a refletir sobre a condição humana construída na lógica do sistema capitalismo.

É evidente que muitas coisas melhoram ao longo da história do capitalismo. Os trabalhadores, por exemplo, conquistaram vários direitos inexistentes no início da Revolução Industrial. Essas conquistas, é bom lembrar, são fruto da luta do povo explorado e não benesses ofertadas pelo sistema. Porém, a economia globalizada e de mercado e a idolatria do dinheiro continuam a gerar a exploração de poucos sobre muitos, que são reduzidos à escória da sociedade. Na exortação apostólica Evangelli Gaudium Papa Francisco afirma: “Com a exclusão, fere-se, na própria raiz, o fato de pertencermos à sociedade em que vivemos, pois quem vive nas favelas, na periferia ou sem poder, já não está nela, mas fora. Os excluídos não são ‘explorados’, mas resíduos, ‘sobras’”.

No capitalismo, o indivíduo vale por aquilo que tem. A felicidade, inclusive, é a associada ao consumo passageiro de bens materiais. Dentro dessa lógica acabamos construindo uma sociedade egoísta e individualista, indiferente ao sofrimento do próximo e da própria natureza, transformada em fonte inesgotável de lucro. “Para apoiar um estilo de vida que exclui os outros ou mesmo entusiasmar-se com esse ideal egoísta, desenvolveu-se uma globalização da indiferença. Quase sem nos darmos conta, tornamo-nos incapazes de nos compadecer ao ouvir os clamores alheios, já não choramos à vista do drama dos outros nem nos interessamos por cuidar deles, como se tudo fosse responsabilidade de outrem, que não nos compete. A cultura do bem-estar anestesia-nos a ponto de perdermos a serenidade se o mercado oferece algo que ainda não compramos, enquanto todas essas vidas ceifadas por falta de possibilidades nos parecem mero espetáculo, que não nos incomoda de forma alguma”, denuncia Papa Francisco.

O filme “Tempos Modernos” nos coloca diante de todas estas questões e por isso a Pastoral da Comunicação de Remanso recomenda assisti-lo. A seguir, publicamos uma resenha crítica do filme feita pelos estudantes Caline Santos Amorim e Márcio Rodrigues dos Santos Júnior com o título “Tempos Modernos: uma crítica ao modo de produção capitalista”.  
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Tempos Modernos é um filme de 1936 produzido nos Estados Unidos pelo cineasta Charles Chaplin. Neste filme, Chaplin interpreta o personagem Carlitos, que é um operário que manuseia uma máquina apertando parafusos, deixando claro o excesso de trabalho ao qual era submetido. Após o término de sua jornada, comportava-se como se ainda estivesse exercendo-a, apertando tudo o que via pela frente, achando que eram parafusos.

Por causa do excesso de trabalho, Carlitos adoece e é internado num sanatório. Ao sair do sanatório, depara-se com uma crise, que obrigou sua empresa a demitir vários empregados, inclusive ele. Em meio à confusão dos protestos e greves que estavam acontecendo na cidade, ele é confundido com um líder comunista e acaba sendo preso. Após certo tempo é solto pela polícia como uma forma de agradecê-lo por ter ajudado a realizar a apreensão de um traficante que tentava fugir. Em prisões posteriores, conhece uma moça órfã que estava fugindo do juizado de menor e apaixona-se por ela.

O operário até consegue alguns empregos, mas não se mantém em nenhum. Acaba trabalhando com a moça em um café, onde expressa o prazer de trabalhar em algo gratificante.

O filme deixa claro a evolução das máquinas e a forma de trabalho que a Revolução Industrial estava trazendo. Mas essa evolução toda não é capaz de eliminar os problemas enfrentados pelos trabalhadores. O trabalho estava sendo uma tortura, isto é, um trabalho alienado. O trabalho torna-se alienado quando prevalece a lógica do mercado, que diz que tudo tem um preço, de modo que, até o próprio trabalhador vende sua força de trabalho mediante um salário, transformando-se em uma mercadoria.
Nesta realidade, o operário produz riquezas que não pertencem a ele, mas sim são destinadas ao seu patrão. Essa situação é percebida nas cenas em que os operários estão trabalhando em ritmo acelerado, sem tempo nem para comer, enquanto o patrão está confortavelmente sentado em seu escritório monitorando a produção e impondo ordens para aumentar a velocidade das máquinas.

Ademais, o filme retrata o conceito de consumo alienado. A alienação do consumo ocorre quando a aquisição de determinado produto passa a imagem de que, uma vez consumido, as pessoas ficariam satisfeitas e felizes, quando na verdade o produto a ser consumido não supera tais expectativas. Assistimos isso na cena em que Carlitos e a moça estão numa loja de departamentos, gozando da felicidade passageira que os bens materiais oferecem, com a ideia ilusória de que se pudessem possui-los alcançariam a felicidade plena.

Há cenas em que é representado o total controle do funcionário. Exemplo dessas cenas é a tela enorme em que o dono da fábrica controla a linha de produção no que diz respeito ao seu andamento, e também a tentativa de utilização da máquina alimentadora. Esta parte do filme é uma crítica à Teoria Taylorista, que era uma forma de racionalização da produção capitalista baseada em inovações técnicas e organizacionais que se articulavam tendo em vista, de um lado a produção em massa e, do outro, o consumo em massa.

No filme, visualizamos também a prática do Fordismo, sistema caracterizado pelo desempenhar repetitivo de certas atividades que eram divididas para que o trabalhador não soubesse o final daquilo que estava produzindo, pois ao não participar das demais etapas do processo produtivo ele perde a noção daquele produto. Isto é percebido no início do filme quando Carlitos e seus companheiros de trabalho estão apertando parafusos sem saber quais etapas se sucedem após esta fase.

Chaplin voltou-se às péssimas condições de trabalho, como, por exemplo, a exploração do trabalhador, com árduas horas de trabalho, péssimas instalações, baixos salários, entre outros, que mais tarde deram origem a reivindicações por diminuição da jornada de trabalho, aumentos salariais, e uma série de direitos trabalhistas que muito lentamente obtiveram sucesso.

Portanto, podemos concluir que mesmo com toda a evolução industrial e o desenvolvimento capitalista, o homem ainda continua explorador. Os patrões, como senhores feudais, atribuem aos seus empregados, servos, condições desumanas de trabalho. A sua busca cruel e incansável pelo lucro os fazem enxergar homens como máquinas programadas sempre ao seu dispor. Tudo isso em um filme, no silêncio dos personagens, na comunicação das imagens. 

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Administração

Pastoral da Comunicação - Paróquia Nossa Senhora do Rosário, Remanso/BA - Diocese de Juazeiro/BA

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