PRESIDENTA DO STR FALA SOBRE PROJETO DE CONSTRUÇÃO DE CISTERNAS EM ESCOLAS DE REMANSO, SENTO SÉ E PILÃO ARCADO

18:05 - Não comentado

A Articulação Sindical (ASS) está executando nos municípios de Remanso, Sento Sé e Pilão Arcado o projeto “Cisternas nas escolas”. O objetivo é construir 84 cisternas de 52.000 litros cada no prazo de um ano em escolas da zona rural destes municípios.

A presidenta do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Remanso e membro da coordenação da ASS, Beronice Ferreira da Silva, a Beró, concedeu entrevista à Pastoral da Comunicação da Paróquia Nossa Senhora do Rosário, onde falou sobre o projeto, sua importância e sobre educação contextualiza. 


Pascom: Em que consiste o projeto “Cisternas nas Escolas”?

Beró: Quem vai executar o projeto é a Articulação Sindical (ASS). O projeto é financiado pelo MDS (Ministério do Desenvolvimento Social) em parceria com a ASA (Articulação do Semiárido), que já vem trabalhando as cisternas nas famílias, e o P1MC (Programa Um Milhão de Cisternas). Foi feita uma chamada pública e a ASA e P1MC concorreram e ganharam. São 84 cisternas, que vão ser construídas nos municípios de Sento Sé, Remanso e Pilão Arcado.

Pascom: Aqui em Remanso vão ser quantas?

Beró: São previstas mais ou menos 20 cisternas, pois a demanda de Remanso é menor que a de Pilão Arcado e Sento Sé.

Pascom: Por que a demanda de Remanso é menor?

Beró: O número de escolas de Remanso é menor e quase todas elas já têm cisternas. Encontramos 10 escolas que não tem cisternas de jeito nenhum e nas demais, o número de alunos é muito grande e por isso vamos construir cisternas nestas escolas. Portanto, aqui em Remanso vão ser construídas em torno de 20 cisternas, bem como em Sento Sé, apesar da demanda neste município ser muito grande. A demanda maior é Pilão Arcado.

Pascom: Tem que ser construídas 84 cisternas?

Beró: Sim, tem que ser construídas 84 cisternas.   

Pascom: Então vocês já sabem que a demanda nos três municípios são de 84 cisternas. Por este número?

Beró: O MDS propôs a ASA a construção de 5.000 cisternas no Nordeste, na região do semiárido, e neste momento teria que ser construídas 2.500, ou seja, o projeto seria dividido em duas etapas. Então a ASA fez o projeto tendo em vista o recurso disponível pelo MDS para a construção de 2.500 cisternas previstas na primeira etapa. O MDS teve acesso, junto ao MEC (Ministério da Educação), a uma lista com o nome de todas as escolas municipais e lá tem todos estes dados no que diz respeito às escolas que já têm cisternas e aquelas que não têm, bem como o número de alunos. Então nós vamos ter que trabalhar em cima desta lista também. E nós vamos ter que fazer um novo cadastro das escolas, comparando com a lista que o MDS nos mandou. Então se nós resolvermos fazer uma cisterna numa escola que não está na lista do MEC, nós vamos ter que justificar, dizendo o porquê, qual é a deficiência e qual é a importância de se construir uma cisterna naquela escola. É bom lembrar que nesta lista não existe apenas o nome de 84 escolas, pois o objetivo é construir 2.500 cisternas. Então vai haver muita demanda de escolas, sobretudo, em Pilão Arcado.

Pascom: Mas a construção desta outras cisternas seria posteriormente.

Beró: Sim, nós vamos cadastrar estas escolas e informar ao MDS. Neste primeiro momento, nós vamos dá prioridade [em Pilão Arcado] a construção de 44 cisternas e, em seguida, iremos fazer o levantamento de todas as escolas que não tem cisternas e vamos mandar para o MDS. Pode haver um aditivo no meio do projeto. Não é certeza, mas existe esta possibilidade de haver um aditivo, incluindo mais escolas. Isso vai depender do cadastro, da demanda e nós estaremos levantando os dados: quantas escolas, quantos alunos e qual a fonte de água.

Pascom: Então a quantidade de alunos é um critério no projeto?

Beró: Não é um critério. Quando nós falamos na quantidade de alunos é porque, por exemplo, aqui em Remanso existem escolas com apenas cinco alunos. Tem que haver uma avaliação a fim de se descobrir o motivo destas escolas só terem cinco alunos, até quando ela vai funcionar tendo em vista esta quantidade mínima de alunos. Nós não podemos fazer um investimento desta envergadura, correndo o risco da escola fechar por falta de aluno. Estas cisternas podem servir para a comunidade. Nós precisamos fazer esta análise, pois não podemos correr o risco de construirmos um “elefante branco”.

Pascom: Então as cisternas poderão ser utilizadas pela comunidade.

Beró: Sim, uma vez que, depois de pronta, a cisterna não é do governo, da prefeitura, mas sim uma obra da comunidade que pode e deve ser utilizada por ela. Hoje nós vemos muitas escolas que terminam as aulas e o diretor ou a secretaria recolhe as chaves. Esse é um dos momentos que não é só a cisterna que vai ser construída, mas também a importância do envolvimento da comunidade com a escola e com o mundo escolar. O projeto prevê momentos com a comunidade, com os alunos, com os professores, com os diretores, porque o objetivo não é só as cisternas, mas também a educação do campo, a educação contextualizada, isto é, uma educação voltada para a nossa realidade.

Pascom: Este projeto já foi executado em outros municípios?

Beró: Em 2010, este projeto foi executado em Juazeiro e Curaçá, munícipios da Bahia. Foi uma experiência muito boa com algumas escolas.

Pascom: Como é que vai ser feita a educação contextualizada?

Beró: A primeira fase do projeto compreende a conversa com os gestores, com a secretaria de educação e com a prefeitura, porque é um projeto que requer muita contrapartida do município, não só do ponto de vista de recursos, mas também de parceria, com a liberação de pessoas, acompanhamento, porque se não o projeto não irá dar certo já que nós estamos trabalhando com os gestores e os professores. Neste primeiro momento, nós estamos tendo esta conversa e fazendo o cadastro das escolas, identificando aquelas em que nós vamos trabalhar. Em seguida, nós temos que realizar um encontro em cada comunidade. Vão ser 84 encontros, onde serão apresentados o projeto e as responsabilidades da Articulação, da comunidade e do gestor, tanto agora como após a execução do projeto.

Pascom: Qual é o prazo de construção das cisternas?

Beró: Este é um contrato assinado em janeiro deste ano e tem o prazo de um ano para a execução. Então até janeiro do ano que vem nós precisamos prestar contas de tudo isso: cisternas construídas, oficinas realizadas de educação contextualizada, GRH (Gerenciamento de Recursos Hídricos) na escola. Tudo isso no prazo de um ano.

Pascom: Como é que é a composição da equipe responsável pela execução do projeto?

Beró: Para a execução deste projeto nós temos quatro pessoas: uma coordenadora (que faz a articulação), uma pedagoga (responsável pela educação contextualizada), um animador de campo (pessoa que acompanha a obra e faz o cadastro da escola) e um auxiliar administrativo, que disponibiliza toda a documentação e dados no sistema. Além disso, existe também a equipe da Articulação Sindical (Sindicato de Remanso, Pilão Arcado, Campo Alegre de Lourdes, Colônia de Pescadores). 

Pascom: Após esta primeira fase (cadastro das escolas e conversas) quais são as outras fases do projeto?

Beró: Antes de responder, é bom lembrar que as escolhas destas escolas estão acontecendo com a sociedade civil. Aqui em Remanso nós decidimos construir cisternas nas escolas que possuem cisternas de 16.000 litros, porque elas não comportam os gastos de água. Em Pilão Arcado, já aconteceu um encontro, onde foram listadas as escolas que tem prioridade agora. Em Sento Sé, ainda não se tem este resultado (esta entrevista foi realizada no dia 09/03). A partir de março nós iremos lançar no sistema pelo menos 15 escolas já cadastradas e faremos uma capacitação de pedreiros. São 10 pessoas interessadas em se inserir no projeto e que querem aprender a construir a cisterna. E a partir de abril já começam as oficinas e o GRH, com merendeiras, porteiros. São 21 oficinas. O agendamento das oficias só será feito após o cadastramento das escolas.

Pascom: Os pedreiros serão pessoas das comunidades?

Beró: Nós pedimos que os municípios de Pilão Arcado e Sento Sé indiquem, cada um, cinco pessoas. E Remanso, se der, indicaria mais cinco, totalizando 15 pessoas. São pedreiros que precisam já ter experiência.

Pascom: A capacitação dos pedreiros envolve a educação contextualizada?

Beró: Ela vai ter o momento teórico e o momento prático, porque o profissional precisa conhecer o mínimo do que é a ASA, o porquê da realização destes projetos, como eles foram construídos, mostrando que foram resultado de muitas lutas e que melhoraram a vida de muitas pessoas.

Pascom: Por fim, gostaríamos você frisasse para a comunidade a importância deste projeto.


Beró: Apesar de ter sido o MDS que provocou a ASA a fazer este projeto, ele não é uma ideia do MDS, ele é uma ideia da sociedade civil. Nossos jovens hoje, nossas crianças, elas são formadas, educadas para sair do nosso semiárido, do nosso Nordeste e ir para a cidade grande. Então isso tem esvaziado os movimentos sociais, os campos. Mas nós moramos no melhor lugar do mundo, só precisamos aprender a conviver com o nosso local, com a nossa cultura, que é bela, rica. Portanto, a educação precisa mudar, porque a partir do momento que você trabalha isso na escola [a convivência com o semiárido], na educação da criança, ela vai entender muito mais do que você pegar um jovem já de 18 anos e tentar mudar a mentalidade dele. Nós escutamos muito o jovem dizer: “eu não quero ser igual ao meu pai, trabalhar na roça, sofrendo igual a ele”. Não é isso que nós também queremos ver. Ver pessoas trabalhando na enxada sem ter dinheiro, divertimento e não ter uma educação boa, uma escola boa e oportunidade para sair e estudar. Mas nós queremos que o jovem dê valor a nossa cultura e o nosso trabalho. Nós precisamos nos adaptar ao semiárido, mudar, talvez, algumas coisas, mas nunca perder de vista nossa cultura e nosso ambiente. Nosso semiárido bom, ótimo, que eu não troco por nada. Nós esperamos que os gestores abracem este projeto, porque a partir do momento que nós formamos jovens com essa educação voltada para a nossa realidade talvez nós iremos melhorar nossa vida ainda mais. 

  • Compartilhe este post:

Administração

Pastoral da Comunicação - Paróquia Nossa Senhora do Rosário, Remanso/BA - Diocese de Juazeiro/BA

Recent Posts

0 comentários:

ATENÇÃO:

Deixe aqui seu comentário. Fique à vontade para opinar ou somente dizer o que achou do artigo!

Proibido deixar dados pessoais como Email, MSN, Telefone, Endereço, etc.
Por favor não use palavras agressivas.
Não faça Spam.

Boletim informativo

Cadastre-se agora para receber as últimas notícias de nosso site!

Powered by Blogger.
back to top