O consumismo e sua liquidez

09:04 - Não comentado


A PJMP de Remanso está promovendo vários encontros com jovens da cidade a fim de se discutir o tema do Grito dos Excluídos deste ano de 2015: Que país é esse que mata gente, que a mídia mente e nos consome? A cada encontro, é discutida uma parte do tema. No sábado, 01/08, foi a vez do consumismo, característica da sociedade capitalista contemporânea, que Zigmunt Bauman chama de Modernidade Líquida.

A seguir, publicamos um texto do jovem militante Silas Souza Savedra, natural de Remanso e que estuda Ciências Sociais na UNIVASF. Ele foi um dos organizadores deste encontro da PJMP sobre consumismo.

Em sua obra "Vida líquida", Zigmunt Bauman traça o panorama atual da modernidade líquida. Segundo ele, a vida líquida é a forma de convivência e relações desta sociedade.

Para Bauman, a sociedade líquido-moderna tem como principal característica as constantes alterações bruscas na sua estrutura, por isso chamam-na de líquida, pois é de grande inconstância, não há solidez. Mesmo as coisas mais impregnadas nos indivíduos se modificam em um "piscar de olhos". A única característica que demanda constância nesse tipo de sociedade é o caráter transitorial, a mudança.

Não tem como falar em modernidade líquida sem comentar o advento do capitalismo e sem falar do seu caráter consumista, como também não tem como falar de consumismo sem falar da ambivalência deste mal: somos consumistas sendo consumidos pelo consumo.

As inovações tecnológicas trazendo a cada segundo novos produtos para o consumo e, através disso a necessidade de novas forças produtivas, acabam por acelerar drasticamente esse processo de rupturas, ou como Bauman prefere, os vários reinícios. Tendo em vista essas grandes alterações panorâmicas, Bauman trás a tona outro fator de extrema importância para o entendimento desse tipo de sociedade: a incongruência dos fatos. Com essas grandes modificações nas estruturas fica quase impossível prever situações a partir de fatos semelhantes ocorridos no passado.

Quando citei, anteriormente, que somos "consumidos pelo consumo" não deixei esse fato restrito apenas a quem é considerado consumista, afinal, com um movimento devastador como tal seria impossível que este não trouxesse malefícios a todas as camadas. Os indivíduos que tentam se blindar, acabam sofrendo tanto quanto os coniventes ao consumo exacerbado, ou mais.

Bauman também fala de um ramo que está sempre em constante ascensão na sociedade líquido-moderna: a indústria de lixo. Com a evolução tecnológica, logicamente, os aparelhos eletrônicos, peças de roupa e etc., usados anteriormente na nossa sociedade se tornam descartáveis a partir do momento que se pode usar produtos de tecnologia mais avançada, ou que seja tendência, isto é, que está na moda. Entretanto, não são jogados somente as várias toneladas de mercadorias: junto com elas se vão identidades. Esse é um dos grandes problemas da vida líquida, se não o maior, ela devasta qualquer resquício de solidez que esteja ao seu alcance. Não se pode existir longos ciclos identitários na modernidade líquida, pois atrapalha os negócios.

Em várias de suas obras, Karl Marx fez duras críticas ao capitalismo e ao consumo e sempre destacava o valor que as sociedades que adotavam esse tipo de modelo econômico dão a propriedade privada, como o maior bem e, todas necessidades humanas são satisfeitas com essas mercadorias. Nessa disputa para ver quem tem mais, formam-se as características individualizadoras e egoístas que subordinam os indivíduos a formação identitária do "ser diferente". Entretanto, nessa "briga" o que menos se encontra são pessoas com sua individualidade intocável e sim, cada vez mais pessoas iguais, pobres de espírito, se degringolando por status.

A todo momento, surgem novas músicas que fazem alusão à ostentação de bens e dinheiro, mas não se encontram as manifestações culturais  voltadas para a valorização da crítica política, da exaltação da mulher, entre outras nuances que exigem urgência. A liberdade de expressão e licença poética não podem ser confundidas com "carta branca" à irresponsabilidade. Esses recursos são de grande importância quando usados em favor da sociedade, mas, se degenerados, tronam-se vilões que devem ser o quanto antes aniquilados.

Analisando com maior rigor, o consumismo é um dos pontos chaves da disseminação do machismo, principalmente, no que diz respeito à exaltação masculina por ter mulheres ao redor graças aos bens que possuem. Sem deixar de comentar, claro, sobre a grande parcela de culpa da mídia brasileira nesse processo, já que, a televisão e as redes sociais, hoje, são os veículos que mais disseminam a "doutrina" consumista. As propagandas são cada dia mais tendenciosas e manipuladoras, passam uma imagem de real desprezo aos que não seguem o movimento do consumo exacerbado, independente da faixa etária. Nesta realidade, as crianças e os adolescentes são as principais vítimas do movimento consumista. Exemplo claro disso, foi a total distorção da comemoração natalina, onde a Coca-Cola se apropriou da imagem do papai Noel (São Nicolau), vestindo-o com as cores da empresa, e uma data que deveria comemorar o nascimento de Jesus Cristo, perdeu todo seu simbolismo e se tornou o dia em que se trocam presentes.

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Administração

Pastoral da Comunicação - Paróquia Nossa Senhora do Rosário, Remanso/BA - Diocese de Juazeiro/BA

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