Que país é esse que mata gente, que a mídia mente e nos consome?

16:05 - Não comentado


 
Em meio ao Grito dos Excluídos, comemorado há 21 anos no dia 07 de setembro, este ano aqui em Remanso, em um caso excepcional, um grupo da Igreja poderá se agregar e compor uma ala dos desfiles que acontecem anualmente, em lembrança da Independência do Brasil.

O tema trouxe novamente a “vida em primeiro lugar”, que atenta sobre um olhar meticuloso da sociedade e suas características cotidianas e estruturais. E, a partir disso, faremos alguns artigos relacionados ao tema até a comemoração.

Adiante, o dia a dia nos oportuna a analisarmos as conjunturas que determina as trajetórias das sociedades e da história. Indo da política à economia, do grupo ao um único indivíduo, expondo as características de toda a sociedade.

Em destaque todos os dias nos noticiários dos grandes telejornais e no cotidiano, certamente, começaremos com a primeira parte do título, “QUE PAÍS É ESSE QUE MATA GENTE”.

Esta primeira parte alega dois pontos extremamente importantes, a violência e a criminalidade, que nos permite abrir um diálogo mais profundo e inclusivo, com a participação de todos.

Nem todos devem estar atentos, mas violência é um problema histórico e estrutural, produzida por vários fatores. Apesar disso, a maior parte das pessoas tem em mente que ela é um fator relativamente simples, “ligada à questão da falta de policiamento, prisões e fragilidade nas leis”.

Dessa análise, muitos reivindicam a reintrodução no Código Penal, a volta da “pena de morte” – uma vez abolida – condenava somente negros e miseráveis por crimes simples. Dentro dos planos, vai de balela, a redução da maioridade penal, julgada equivocadamente, por uma opinião pública completamente induzida.

Se a solução do problema decorresse simplesmente disso, reintroduzir a pena de morte e baixar a idade penal, provavelmente, os governos e partidos que alçam essa “bandeira” – aqui ou em qualquer lugar do planeta – já teria sido solucionado, facilmente. Em contrapartida, na prática, não houve resultado positivo nas afirmações, tomando por base aprovações noutros países que aprovaram essas leis.

À face dos dados – em torno dos 56 mil homicídios por ano – a discussão da segurança pública rende e precisa ser debatida, incluída e levada a serio por toda sociedade. Até porque, além de estarmos em “guerra”, nessa “guerra” morrem mais negros, 77%, um genocídio; e jovens, dos 16 aos 29 anos; mais adiante, veremos taxas impressionantes em relação ao homicídio de mulheres, entre 2009 e 2011, registrando 17 mil, de acordo com o IPEA.

Em urgência, mostram-se necessárias campanhas midiáticas para divulgar estudos e os dados, portanto, sendo fundamental que as grandes massas fiquem informadas e compreendam, realmente, quais são os problemas e as vias de saídas.

Ora, resolver a criminalidade não é uma tarefa simples, uma vez que opiniões de especialistas, propriamente, não chegam à população de modo que possamos solucioná-la na raiz. E por incrível que pareça, ela ainda aquece um mercado bilionário, com custos que chegam a 258 bilhões de reais por ano.

Nos incautos, não há muito interesse político, particularmente, por haver uma bancada parlamentar chamada de “Bala”, que visa especialmente dar ênfase e pôr projetos de interesses privados – com o apoio do presidente da câmara, Eduardo Cunha – em votação o mais rápido possível.

Observa-se que, políticos que defendem os projetos da bancada da Bala – de interesses particulares – suas campanhas são maciçamente financiadas por magnatas do ramo de segurança e armas, lucrando com a limpeza social-racial, com a matança de negros e pobres.

E por visarem interesses privados, deixam o fator social à mercê, sendo uma das mazelas – a extrema desigualdade social – que condiciona a criminalidade. Há muitos outros determinantes que estimulam, por exemplo: a falta ou desvio dos investimentos em educação, saúde, cultura, moradia; discriminação: o racismo e a injúria racial, xenofobia, a LGBTfobia e a intolerância religiosa, etc.

No mais, atrelado à cadeia social, há outro bando que se beneficia com a criminalidade, a elite. Sim, “os 1% que detém 50% de toda riqueza produzida”, como diz o economista Thomas Piketty. Este grupo – historicamente privilegiado com as desgraças causadas pela desigualdade econômica e social-racial – manipula a política, com demagogia, mentiras, ódio e sensacionalismo.

Essa ideia de levar a discussão da segurança pública sob medidas simplistas podem motivar problemas piores no futuro. Fora que, vidrar em pautas superficiais desvia o foco do combate à “raiz”, “mãe de todos os problemas”.

Ter ideia da praga e como combatê-la é, imediatamente, recomendável conhecer o poder social e o papel do Estado, moldá-lo de acordo com o atendimento às necessidades públicas – como nos países nórdicos – proporcionando melhoras no Índice de Desenvolvimento Humano, IDH.

Os países nórdicos, Finlândia, Noruega, Islândia, Suécia e Dinamarca – além doutras ilhas agregadas -, são referências no bem-estar social, por diversos motivos. E uns dos motivos principais são: o combate à concentração de renda e ao monopólio. Veja bem: empresas como a Rede Globo aqui no Brasil, um oligopólio da comunicação, monopólio – tendo os seus proprietários possuidores de uma riqueza de mais de 50 bilhões de reais –, porém, lá nas terras nórdica a sua absurda concentração já teria sido taxadas e estabilizada, estando em igualdade com os demais, destinando o excesso à melhoria dos serviços públicos: saúde, educação, infraestrutura, cultura e distribuição de renda, etc.

Por racionalidade, é impossível entrar na discussão da segurança pública e discutir o aumento do rigor nas leis sem antes conhecer profundamente as questões sociais. Para tanto, países com estruturas eficientes e melhores, são menos violentos e há baixos índices de criminalidade por conta de o Estado garantir serviços de qualidade à sua população, ao contrário do que vemos no Brasil.

O Brasil, hoje, é um dos países mais violentos do planeta Terra, onde a opinião pública se ver desnorteada. Obviamente, induzida às visões retrógadas, conservadoras e insuficiente acerca dos problemas. Em parte manipulada por uma mídia gananciosa em defender os seus próprios proprietários e investidores – noutro canto, também – por mediocridade de uma elite que ostenta as desigualdades sociais e ainda quer “serviços à lá Suécia”, por exemplo, desviando o pagamento dos impostos para os paraísos fiscais e prejudicando os serviços públicos, identificado por uma CPI batizada de “Operação Zelotes”.

Ao longo dos tempos, houve objetivos exclusivos, por parte da elite, em manipular o debate público e parlamentar acerca da resolução dos problemas relacionados à criminalidade. De fato, porque o combate à mesma retirará os seus privilégios e, de certa forma, fará com que as classes mais oprimidas – as que sofrem mais estas mazelas – ocupem locais antes não ocupados e de forte impacto nas mudanças.

Por isso, como diz na música de Max Gonzaga – Classe Média, quando acontece alguma atrocidade com uma filha de um executivo, “aí mídia manifesta/a sua opinião regressa/de pena de morte ou reduzir a idade penal”. E, no rumo do sensacionalismo, vemos expectadores que acreditam na “meritocracia” testemunhar um massacre racial-social e não se sensibilizar, “mas apoiam as medidas demagogas de um presidente da Câmara dos deputados federais que é indiciado por vários crimes de corrupção, inclusive na Lava Jato”.

 
Por Matheus Rodrigues, colaborador da Pascom e integrante da PJMP.

Referências:

http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/colunistas/rose-mary lopes/2014/02/21/inseguranca-e-violencia-criam-mercado-bilionario-para-empreendedores.htm - Insegurança e violência criam um mercado bilionário para empreendedores
http://brasil.elpais.com/brasil/2014/02/05/sociedad/1391629439_112697.html - Violência e desigualdade social
http://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/a-relacao-entre-desigualdade-e-criminalidade - A relação entre desigualdade e criminalidade
http://www.cartacapital.com.br/sociedade/brasil-possui-a-quarta-maior-populacao-prisional-do-mundo-7555.html - Brasil possui a quarta maior população prisional do mundo
http://www.cartacapital.com.br/sociedade/suecia-fecha-4-prisoes-e-prova-mais-uma-vez-a-questao-e-social-334.html - Suécia fecha quatro prisões e prova: a questão é social
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/janteloven/ - Por que a Noruega está tão à frente do Brasil em desenvolvimento social
http://www.cartacapital.com.br/blogs/parlatorio/operacao-zelotes-envolve-bancos-grandes-empresas-e-afiliada-da-globo-6208.html - Operação Zelotes envolve bancos, grandes empresas e afiliada a Globo
http://noticias.r7.com/brasil/a-cada-uma-hora-e-meia-uma-mulher-morre-vitima-de-violencia-masculina-no-brasil-diz-ipea-25092013 - A cada uma hora e meia, uma mulher morre vítima de violência masculina no Brasil, diz Ipea

http://negrobelchior.cartacapital.com.br/2015/03/30/18-razoes-para-nao-reduzir-a-maioridade-penal/ - 18 razões para não reduzir a maioridade penal

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