Que país é esse que mata gente, que a mídia mente e nos consome II?

16:45 - Não comentado


 
Após a publicação da apresentação do Grito dos Excluídos - que teve introdução na primeira parte, “Que país é esse que mata gente” - neste segundo artigo, em decorrência da atual conjuntura político-econômica e social, daremos prioridade à segunda parte: “Que a mídia mente”.

Terminadas as eleições de 2014, com a vitória acirrada da presidente Dilma Rousseff-PT, apoiada por quase todos os movimentos sociais de esquerda e vários intelectuais – incluindo os teólogos, Frei Betto e Leonardo Boff – ressurge uma espécie de terrorismo midiático que desencadeou influência de grupos de extrema-direita com atitudes nazifascistas, semelhante ao ocorrido em 1964, que resultou na deposição de Jango (João Goulart) e à tomada do Golpe Militar.

O problema relacionado à mídia não é recente e, por sinal, é demasiadamente complexo, principalmente no Brasil e em toda a América Latina.

Aqui no Brasil, em destaque, operam-se agências que transcendem a Constituição e rebaixam as leis. Para tanto, políticos e seus familiares, detém redes de comunicação. “No viés de que tudo no Brasil pode”, seis famílias controlam 90% das empresas de comunicação do país, um monstruoso oligopólio.

Vale notar que, em detrimento do regulamento constitucional, a autorização da implantação de TVs e Rádios são regimentadas pelo Estado – por meio de “concessões”.

Entre 1985/90, no governo Sarney – período de transição da ditadura - foi dada outorgas de 527 concessões, desenfreadamente, de TVs e Rádios. Em tese, particularmente, para políticos e familiares próximos – aliados – ligados aos três poderes.

Este de tipo de monopólio age no atropelo das leis – sem contar que a sua regulamentação é de 1962, portanto, atrasadíssima – que punam o abuso. E, por ter um controle institucional que desmonta qualquer sistema político-democrático, tem sua força na manipulação da opinião pública, uma vez que há interesses macroeconômicos – muito dinheiro envolvido – por trás das negociatas.

À medida que avaliamos a história, veremos problemas históricos e estruturais nesse Continente que foram/são proporcionados pela concentração da mídia, “que formam colônias ideológicas” – exatamente como declarou o Papa Francisco na sua passagem por aqui, na América Latina.

Disso, em favor dos seus interesses e investidores, a tradicional mídia impõe uma formação de uma opinião pública retrógada, conservadora e preconceituosa, em vários sentidos. Assim como o capitalismo, ela determina padrões e modas. Com isso, o pensamento hegemônico, é fruto de um único editorial, ou seja, de uma mesma agência que demanda em todos os setores.

Um fato, a formação de monopólios, atrapalha e influencia qualquer atividade democrática. É assim na economia, na política, na cultura, na etnia, etc., ou seja, acaba “engolindo” a diversidade e a pluralidade, impingindo uma visão hegemônica e, na maioria dos casos, levando à extinção de minorias.

Para ver o poder de um monopólio, basta ter ideia da concentração de riqueza nas mãos de poucos, chegando nesses últimos anos com 50% de tudo o que é produzido no mundo em “poder” de menos 1% da população mundial. E, a partir disso, causam desastres sociais e um transtorno ideológico desumano, tendo uns praticamente tudo, outros nada.

Em outro exemplo, que podemos analisar, é a pequena representatividade cultural na TV aberta, ou seja, há milhares de culturas em terras brasileiras – maioria delas históricas, de cunho indígena e africano – no entanto, são sorrateiramente esquecidas pela grande mídia. Ora às vezes, até mesmo, discriminadas.

Cronologicamente, os grandes meios de comunicação – jornais impressos, rádios, TV – se aliaram à elite e arquitetaram golpes, sempre interferindo na democracia. Foi o caso de 64, veja na imagem abaixo.
 
Jornais da época em apoio ao Golpe de 64
Além disso, escondeu e distorceu os fatos e notícias, basta ver o inescrupuloso papel que ela prestou à ditadura militar, em defesa ao golpe. Nem só em apoio – no viés ideológico e na manipulação – sobretudo se omitiu na cobertura das “Diretas Já!”, movimento conhecido pela volta da democracia e das eleições, do direito ao voto e as escolhas dos candidatos.

Campanha das Diretas Já!
É importante ficarmos cautelosos quanto à credibilidade dos meios de comunicações, pois, jornais e emissoras de televisões tiveram concessões pós-golpe. É o caso, por exemplo, da Rede Globo de televisão, criada em 1965, com a finalidade – como ficava explícita no seu jornalismo – de defesa à ditadura militar, sendo crucial na consolidação e na permanência do regime. 

A ditadura, que erigiu diante de uma “possível tomada comunista” – como diziam os ativistas políticos de extrema-direita –, resultou em um regime opressor e elitista, que violou os direitos humanos, assassinou e exilou diversos políticos e intelectuais.

Em todas as áreas houve retrocessos que até hoje sentimos reflexos. A área econômica-social, em especial, foi a mais afetada e perversamente agredida. Para se ter ideia, antes do golpe a concentração de renda era em torno de 38% de tudo que era produzido em poder de uma pequena elite, após, ampliou-se para 48%. Há muitos outros desastres para pôr em pauta e discutirmos, mas essa não é a ocasião, prioritariamente.

Outra observação: vale destacar que o período de ditadura foram os anos que o Grupo Globo de Comunicações mais lucrou, com verbas e investimentos públicos. Dinheiro do povo, particularmente.

Portanto, o Golpe de 64 foi crucial na formação do nosso principal grupo de comunicação, que chega a 99% dos televisores do país. E é, sem sombra de dúvidas, a principal mídia formadora de opinião.

No enredo, como foi de importância na visão de um dos mais respeitados sociólogos do Planeta, Florestan Fernandes falava o seguinte da televisão: “A televisão tornou-se um estado dentro do Estado, uma escola acima das escolas e uma forma subliminar e assustadora de manipulação de mentes.”

No mais, mostra-se necessário avaliarmos atentamente aos interesses dos grandes magnatas da mídia, uma vez que, delas surgem às opiniões e a formação do ser, dos seus posicionamentos diante das situações e do mundo. Até porque, na “Era da Informação”, não custa nada estar bem informado.
 

Por Matheus Rodrigues, colaborador da Pascom/Remanso e integrante da PJMP.

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Pastoral da Comunicação - Paróquia Nossa Senhora do Rosário, Remanso/BA - Diocese de Juazeiro/BA

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