Paixão e Morte de Jesus, crise política e outras reflexões

10:28 - Não comentado


Muitas vezes, ouvimos a narração da Paixão e Morte de Jesus Cristo e não paramos para refletir a profundidade e a atualidade deste episódio. A Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus é para nós, cristãos e cristãs, a razão da nossa fé.

Quando refletimos a Paixão e Morte de Jesus Cristo, alguns questionamentos nos vêm à cabeça: Quais são as pessoas que Simão Pedro representa? Por que Caifás disse: “é conveniente que um só homem morra pelo povo?” Qual o significado da aliança entre o poder religioso e o poder político na condenação de Jesus? Quem condenou Jesus: o povo judeu manipulado pelo poder religioso ou Pilatos que sucumbiu diante da pressão popular? Por que Jesus foi condenado injustamente? De que forma o ódio a Jesus foi sendo cultivado no coração do povo judeu? Já que Pilatos sabia que não havia motivo nenhum para condenar Jesus, por que mesmo assim Ele foi condenado? O que significa a fala de Jesus a Pilatos: “quem me entregou a ti tem maior pecado”? Quais são as pessoas que Maria representa no episódio da Paixão e Morte de Jesus?

O convívio de Simão Pedro com Jesus nos mostra uma pessoa cuja personalidade é muito parecida com o nosso modo de ser. Somos todos seres humanos e por isso fraquejamos na caminhada. Muitas vezes, somos atingidos por dramas existenciais do tipo: Será que todo o meu esforço valeu à pena? Por que lutar tanto se as coisas não mudam? Por vezes, abraçamos o mundo e nos comprometemos a fazer diversas coisas, mas na hora de agir e suportar os desafios que se apresentam na caminhada, acabamos desistindo. O mesmo Pedro que negou Cristo por três vezes é o mesmo Pedro que falou para Jesus: “Senhor, contigo estou pronto para ir até mesmo para a prisão e para a morte”.  
A proposta de Jesus é de uma vida abundante para todos. Para isso, não podemos aceitar uma realidade onde poucos têm muito, enquanto muitos não têm quase nada. Uma vida abundante para todos significa, portanto, uma realidade onde impere a igualdade social. Não podemos nos calar diante das desigualdades. Quando votamos, devemos escolher candidatos e partidos comprometidos com a luta sofrida do povo, que continua pedindo por justiça social. É recorrente, na história do Brasil, a tentativa de perseguir partidos e destruir pessoas, políticas ou não, que lutam a favor dos pobres e marginalizados e pela construção de uma sociedade mais justa. Muitas vezes admiramos pessoas que ajudam os pobres, porém nos incomodamos com aquelas que questionam as causas da pobreza.  Dom Hélder Câmara dizia: “quando ajudo os pobres, me chamam de cristão, mas quando questiono as causas da pobreza, me chamam de comunista”. Questionar as causas da pobreza significa combater os privilégios e a idolatria do dinheiro. Significa, também, destruir as barreiras que separam a Casa-Grande da Senzala.

Da mesma forma que há pessoas empenhadas na luta por um mundo mais justo e fraterno, existem aquelas que se incomodam com a ascensão social dos pobres. Utilizam até mesmo a religião como instrumento de manipulação e alienação das pessoas. Para manter a realidade como está, é preciso convencer a maioria do povo que a ideologia da elite é a melhor. Dessa forma, o povo corre o risco de acreditar, por exemplo, que a corrupção no Brasil passou a existir de 12 anos para cá; que tirando do poder a presidente do Brasil as coisas vão melhorar; que se um pobre hoje pode fazer um curso universitário é devido, simplesmente, a seus méritos e não fruto, também, de políticas públicas de acesso à universidade; que existe, mesmo sem prova, um chefe de uma quadrilha que comanda a corrupção no Brasil; que o grande problema do Brasil é a corrupção; que se alguém denuncia os abusos e crimes que são cometidos nas investigações, é porque esta pessoa é contra o combate à corrupção.

Quem acredita nestes argumentos, acaba correndo o risco de estar sendo manipulado em nome dos interesses da elite, que não aceita que o Brasil mudou muito de um tempo para cá.

Pilatos sabia que Jesus não era criminoso, pois não havia provas contra Ele. Uma das bases que fundamenta uma sociedade civilizada é esta: todo indivíduo é inocente até que se prove o contrário. Se não aceitamos este fundamento, voltamos à época em que as pessoas eram condenadas antes mesmo de serem investigadas, denunciadas e julgadas.

Não seria exagero nenhum afirmar que quem condenou Jesus foi o ódio presente no coração do povo manipulado, que pedia a Sua crucificação. Neste sentido, podemos dizer que Pilatos simplesmente ouviu a voz das ruas, lavando suas mãos e entregando Jesus para ser devorado pelas feras. Jesus não teve direito a um julgamento justo.

Mas quem manipulou o povo contra Jesus? Vemos claramente que foi a religião a serviço dos interesses dos poderosos. Quando uma determinada religião se fundamenta numa fé sem vínculo nenhum com a realidade do povo, fica mais fácil que seus seguidores sejam manipulados por seus líderes. Estes se aproveitam das fragilidades emocionais inerentes a nossa condição humana e acabam fazendo com que seus fieis cultivem valores que negam o Evangelho, como, por exemplo, o desrespeito com relação às pessoas e culturas que lhes são diferentes, a discriminação, o preconceito, entre outros. Estes são valores que incitam o ódio.

Muitos ainda criticam a Igreja do Brasil quando ela propõe a Campanha da Fraternidade no tempo da Quaresma. Costumam dizer que a Igreja está fazendo política. Porém, os temas da Campanha sempre dizem respeito à realidade do povo, como, por exemplo, a questão do saneamento básico. Quantas pessoas sofrem por falta de um saneamento básico adequado em nossa cidade! Voltemos o nosso olhar para a Vila Matilde, onde seus moradores convivem com o esgoto a céu aberto, com a falta de água, com a falta da drenagem das águas da chuva e com os mosquitos. Será que é isto que Deus quer?

A mídia também pode se transformar em um poderoso veículo de manipulação, sobretudo quando os meios de comunicação ficam concentrados nas mãos de poucos grupos ou famílias, como é o caso do Brasil. A grande mídia brasileira tem seus interesses (que coincidem com os interesses da elite e do capital financeiro) e, ultimamente, está empenhada em atiçar a população contra alguns grupos e pessoas políticas. É preciso que nós escutemos as várias opiniões sobre um determinado tema para só em seguida emitimos a nossa opinião. Lembre-se: a mídia gosta de falar em nome da democracia, mas a história nos mostra que nem sempre ela lutou em favor da ordem democrática.

O povo que conscientemente se deixa manipular e não questiona está pecando da mesma forma que os manipuladores. Às vezes, tendemos a desiludir do presente e não acreditar mais no futuro, negando tudo aquilo em que acreditávamos como fez Pedro.  Porém, a nossa postura deve ser a mesma de Maria, mãe de Jesus e nossa. Ela caminhou ao lado de Jesus durante toda a Sua vida e nunca duvidou ou negou os ensinamentos de Seu Filho amado. O verdadeiro discípulo de Jesus é aquele que ouve, guarda e coloca a sua Palavra em prática. Colocar a Palavra de Jesus em prática significa colocar-se a serviço de quem mais precisa e identificar-se com a dor e a luta daqueles que clamam por justiça social. 



Pascom-Remanso, imagem da internet.




  • Compartilhe este post:

Administração

Pastoral da Comunicação - Paróquia Nossa Senhora do Rosário, Remanso/BA - Diocese de Juazeiro/BA

Recent Posts

0 comentários:

ATENÇÃO:

Deixe aqui seu comentário. Fique à vontade para opinar ou somente dizer o que achou do artigo!

Proibido deixar dados pessoais como Email, MSN, Telefone, Endereço, etc.
Por favor não use palavras agressivas.
Não faça Spam.

Boletim informativo

Cadastre-se agora para receber as últimas notícias de nosso site!

Powered by Blogger.
back to top