Oportunismos em tempo de ódio. Não passarão!

10:53 - Não comentado

Abaixo: Aloysio Nunes, Aécio Neves, Geraldo Alckmin. Acima: Antônio Imbassahy, Paulinho da Força e cia.

O cenário não é muito favorável para a democracia brasileira, tendo em vista muitos problemas acerca da conjuntura política, social, econômica e moral. São nesses tempos, de crise, que oportunistas se apresentam como “salvadores da pátria”.

Se voltarmos na história, lá na década de 20 na Itália, de 30 na Alemanha e 60 no Brasil, veríamos figuras que se prestaram a esse papel e mobilizaram a sociedade, apoiado pela burguesia, com discursos semelhantes. Tanto contra a corrupção, quanto à abordagem com ódio e de abominação da discussão política.

Foi dessa forma que Benito Mussolini em defesa do Fascismo, Adolf Hitler do Nazismo e Carlos Lacerda do Golpismo se puseram como salvadores da pátria, jogando a sociedade em uma profunda convulsão social e de caráter.

Semelhante ao Brasil de hoje, nessas épocas a polarização era tamanha que, quem era contra o Fascismo na Itália, o Nazismo na Alemanha e contra a UDN-Carlos Lacerda no Brasil, “pactuava com a corrupção e com os erros econômicos que preocupavam o consumo das famílias”.

Existia, assim, uma visão “preta e branca” diante da situação no momento: “de um lado o bem; do outro, o mal”.

Na Itália e Alemanha, o Nazifascismo ganhou muita força com o amplo apoio da classe média. No Brasil, os mesmos setores sociais que Itália e Alemanha saíram às ruas em apoio às mobilizações udenistas, travestidas de “combate à corrupção e ao comunismo”.

Forças retrógradas e conservadoras se viram apavoradas com uma ideologia que pregava o “fim da propriedade privada, a igualdade social e fim da exploração da mão de obra do proletariado em interesse de um capitalista”. No contexto, pactuado com os grandes meios de comunicação, voltaram-se contra o Comunismo. As ferramentas utilizadas ao combate foram o despertar do ódio contra os ideais comunistas e a quem os pregava. Dalí ganhava força qualquer forma de atuação de poder que fosse de combate ao Comunismo, até mesmo ideologias de cunho racista, xenófoba, machista, intolerante à diversidade e à liberdade religiosa, intelectual, sexual, etc., como foram às manifestações na Itália, Alemanha e Brasil antes de golpe de 64.

Por conta de tudo isso, a filósofa Marilena Chauí, conclui que “a classe média sempre ficou em dissonância com a democracia”. Esses mesmos setores que marcharam/marcham doentiamente a favor do “Nazifascismo”, sempre foram objetos de manipulação e de atropelo do debate político. Essa camada formada a partir de uma nova ramificação social constituída em classes, naturalmente se formou numa espécie de proletariado “zumbi”, sem cérebro e reprodutores da própria opressão. Ou se resume exatamente como diz Chauí: “a classe média é uma abominação política, porque é fascista, é uma abominação ética porque é violenta, e é uma abominação cognitiva porque é ignorante”. 

Esses setores movidos ao ódio, alimentado por uma imprensa golpista, ao que transparece, elegem “salvadores da pátria”. Ontem foram Mussolini, Hitler e Lacerda. Sabemos muito bem o que aconteceu. Hoje é Jair Bolsonaro que, aos auspícios delirantes de quem defende a volta da ditadura militar e vocifera contra os programas sociais/democracia/liberdade, tem um crescente apoio – traçado pelo perfil social, cultural e educacional – da classe média.

Ainda sobre o forte avanço dos setores golpistas, figuras como Eduardo Cunha, Silas Malafaia, Sérgio Moro e Aécio Neves, com o amplo apoio dos grandes meios de comunicação – a quem são aliados – traçam um golpe e contribuem com a convulsão política-moral.

Os “paladinos da ética surfam” na demagogia por ter seus “podres” abafados e arquivados, seja por meio de influência política, intimidação psicológica, física ou achaque moral. Não passarão!

Investigações, delações e declarações desmascararam a desfaçatez desses “moralistas” que fazem discurso de ódio e contra a corrupção. Não passarão!

Movimentos políticos agressivos se mobilizam e provocam achaque a quem ousa expor uma opinião de cunho democrático ou defender a democracia. Para tanto, num ato covarde, uma mulher agrediu o Arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer, “acusando-o de comunista”. Não passarão!

Quem viu as manifestações de apoio ao golpe, presenciou um espetáculo do ódio e do analfabetismo político. A maior parte das pessoas que manifestaram com a camisa da CBF – que é investigada por corrupção –, declarou ódio às políticas sociais, às cotas, à democracia, à liberdade individual. Não passarão!

Por certo, vemos novamente o acender do furor de uma classe beligerante que nasceu das entranhas do que há de pior no Capitalismo: nazifascistas e os seus capatazes. Mas estes, novamente, não passarão!



Por Matheus Rodrigues – colaborador da PASCOM/Remanso, militante do Levante Popular da Juventude e estudante de Ciências Sociais na Universidade Federal do Vale do São Francisco.





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