Falta de estrutura compromete a qualidade da água consumida pelos moradores de Remanso

11:35 - Não comentado


Caminhando pelas ruas da Área Industrial encontramos Dona Maria de Fátima. Ela nos relatou sobre a incômoda situação de ter que passar várias horas do dia sem nenhuma gota de água nas torneiras de sua casa. Sua residência não possui caixa d’água. Dessa forma, sem poder armazenar a água ela precisa, todos os dias, interromper suas atividades domésticas cotidianas, como, por exemplo, limpar a casa, lavar a louça e cozinhar os alimentos. A situação de Edileusa Sousa Santos, moradora do bairro Vila Santana, é um pouco melhor, pois em sua casa existe reservatório de água. Porém, relata que “ela falta constantemente, ficando, durante o dia, mais tempo sem água”. Sobre sua aparência, Dona Maria de Fátima conta “que a água sai das torneiras muito amarelada”, precisando esperar muitos minutos, com a torneira ligada, até que ela adquira um aspecto mais cristalino.  

De fato, a água está chegando às residências com uma tonalidade muito amarelada. Este fenômeno é decorrente do processo de floculação, que acontece na Estação de Tratamento do SAAE durante o trabalho de tratamento da água. Por causa da cheia do rio São Francisco, ela chega à estação com uma qualidade muito ruim, por isso seu tratamento ocorre mediante o uso de uma quantidade maior do sulfato de alumínio, agente floculante utilizado, frequentemente, na purificação da água potável.

Durante o processo de coagulação e floculação da água, eventualmente uma parte dela passa pelos filtros e acaba floculando na rede de distribuição. Quando o sistema é interrompido, seja por que a bomba ou algum registro quebra ou por que aparece algum problema nos filtros da estação, o material que deveria ser decantado na estação acaba sendo decantando na rede. Quando o sistema é reativado, este material mistura-se com a água que sai nas torneiras, provocando a desagradável cor amarela.   “O ideal é que a água coagule, flocule e sedimente na estação para, em seguida, ser filtrada e enviada”, mas “como a estação de Remanso trabalha sempre afogada, ou seja, precisa tratar uma quantidade de água maior que sua capacidade de tratamento, ela não tem capacidade plena de receber toda essa água que está vindo e tratar de uma forma eficaz”, afirma Carlos Filho, químico da Estação de Tratamento do SAAE. Atualmente, a sobrecarga da estação, isto é, o volume de água que chega para ser tratada, está em torno de três vezes mais que sua capacidade de tratamento.

Para resolver momentaneamente o problema da cor amarelada da água, os técnicos do SAAE recomendam aos consumidores que deixem a água derramar nas torneiras durante um tempo de dois a três minutos, tempo suficiente para que ela volte a ficar cristalina.

Já que a Estação de Tratamento recebe uma quantidade muito grande de água, superior a sua capacidade de tratamento, conclui-se que a solução mais adequada seria reduzir o volume de água que chega à Estação. Conclusão simples e equivocada, pois com isso mais pessoas ficariam sem água nas torneiras. Carlos Filho afirma que com a vazão atual, em torno de 90 L/s, as pontas de rede da cidade (Vila Ayrton Senna, Vila Santana, Vila Matilde) precisam ser abastecidas com carro pipa. Dessa forma, completa Leo, se a Estação de Tratamento reduzir o volume de água que vem do rio para ser tratada na estação, mais da metade da cidade ficaria sem água.

Na quadra 19 conversamos com Jeane Custódio Paes que nos contou a respeito do problema da falta de água. Ela disse que “o bairro está há um mês sem água nas torneiras”, precisando ser abastecido por caminhão pipa, que passa a cada três dias. Situação parecida acontece no bairro da Vila Santana. Tanto lá quanto na quadra 19 há relatos de doenças, que dizem terem sido provocadas pela má qualidade da água.

De acordo com Leo, que é o encarregado da Estação do SAAE, o sistema de distribuição de água de Remanso, sistema por pressão, é ultrapassado. O melhor seria que fosse por gravidade, porque a água seria distribuída por igual, além de facilitar o controle de registro. Ademais, a própria Estação de Tratamento precisa, urgentemente, passar por uma reestruturação, uma vez que, “uma estação maior, que comportasse uma quantidade de água maior, a qualidade da água tratada seria bem melhor”, afirma Carlos Filho.
 
Calos Filho(à esquerda) e Leo(à direita)
A reestruturação do sistema de tratamento e distribuição de água envolveria a construção de uma adutora nova de 300 ou 400 mm e reforma da Estação de Tratamento, que segundo Leo está em processo de planejamento. “A ideia é ampliar a Estação de Tratamento, concluir mais um filtro, mais um floculador e mais uns dez a quinze metros de decantador, bem como alugar um gerador para colocar no Remanso Velho, visando melhorar a vazão de água lá”. Segundo os técnicos do SAAE, estas medidas serão estruturantes e emergenciais. Eles lembram que já passou da hora de fazê-las, uma vez que, a população paga por um serviço (o tratamento e recebimento de água de boa qualidade) e ver pouco retorno.

Para executar todas estas medidas, é preciso muitos recursos. Nossa equipe de reportagem entrou em contato com a direção do SAAE a fim de obter informações sobre a existência e a liberação dessas verbas, no entanto a direção nos informou que devido o envolvimento no processo de contratação do gerador de energia para captação de água de Remanso Velho não foi possível, neste primeiro momento, nos fornecer as informações necessárias, porém após a solução do problema envolvendo a contratação do gerador todas as perguntas enviadas pela equipe da PASCOM serão devidamente respondidas.

Sistema de Captação de água de Remanso Velho até poucos dias atras (antes do gerador)

Ampliação dos Tanques de armazenamento de água (SAAE de Remanso)

Ampliação dos Tanques de armazenamento de água (SAAE de Remanso)
Estação de captação de água (cais de Remanso)



Com informações e fotos da Equipe PASCOM-Remanso.

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