Agora falando sério: a criminalidade tem a haver sim com desigualdade social

09:43 - Não comentado



É assustador o que vem ocorrendo com a minha amada e adorada cidade de Remanso-Bahia, visto que ela ora vira notícia pelo desagrado da corrupção na política; ora pelos atos de desatinos causados pela violência urbana (diga-se, as duas unidas como irmãs univitelinas).

Necessário trazermos todos atores sociais desta cidade para ampliarmos o diálogo, e assim tomarmos as rédeas da situação alarmante, antes mesmo de se tornar incontrolável.

Nos últimos tempos, digo, nos últimos anos estamos vivenciando o que mais não se imaginava na cidade de Remanso, quando falamos em crimes do cotidiano dos grandes centros.

Tornou-se corriqueiro nos depararmos com todos os tipos de violência perpetrados no seio da nossa sociedade, tipos estes que atingem todos os setores sociais da comunidade, que até ontem era tranquila, ordeira, pacífica, local onde todos tinham como seguro.

Sabe-se que o Brasil vem sofrendo gradualmente com o avanço da criminalidade urbana. Os últimos indicadores mostram de maneira assustadora que estamos regredindo e sem dúvida perdendo esta guerra – não mais apenas uma batalha.
Diante dessa situação, torna-se necessário a ampliação do diálogo, trazendo todos que compõem a sociedade para debatermos e criarmos soluções eficazes e que não sejam simples, isto é, para um determinado momento.

É na falta de debate sério que são criadas caricaturas de heróis, com frases de efeito, tentando ludibriar parte da sociedade, dizendo que irão solucionar o problema, quando na verdade querem apenas escamotear toda problemática que circunda estes casos.

Percebemos que a população se encontra alijada de seus direitos, tendendo para a defesa dos mais assombrosos mecanismos de combate aos tipos de crime que veem assolando a nossa cidade. Neste momento, o discurso de ódio sobrepõe-se, até mesmo naqueles que tem em si fé, generosidade, altruísmo e solidariedade.

Ocorre que, quando somos tomados por estes sentimentos, tornamo-nos vulneráveis e assim deixamo-nos levar pelo pensamento comum, corriqueiro, simplista. Passamos a atribuir culpa a este ou aquele, mas não conseguimos olhar no horizonte, ou mesmo aquela luz no fundo do túnel.

É neste contexto que necessitamos conclamar todos os setores sociais de Remanso para debatermos, de maneira séria, este mal chamado criminalidade. Não serão soluções superficiais que irão trazer a tranquilidade que esperamos, novamente, nos povoar.

O comum é falarmos no aumento do efetivo policial para diminuir a violência, pois está introjetado nas nossas cabeças a ideia de que a solução para a problemática da criminalidade seria mais polícia nas ruas. Sem dúvida que o aumento do efetivo policial faz parte de todo arcabouço, denominado segurança pública; todavia, não é somente com a ampliação do número de ações e intervenções policiais que iremos extinguir a criminalidade que nos assola.

É necessário que sejamos mais racionais, fazendo compreender a realidade que nos circunda. A nossa cidade vem sofrendo com descaso no serviço público há anos, o que mantém e aprofunda a desigualdade social alarmante. Porém, o efetivo enfrentamento da criminalidade está alicerçado no combate à desigualdade social. Dessa forma, em qualquer sociedade que se pretende civilizada terá que haver a equidade e o máximo de igualdade.

Neste sentido, passo a fazer as seguintes perguntas: cadê o setor público que não investe em políticas públicas? Cadê a criação de emprego, e a consequente geração de renda para cidade? Cadê as políticas inclusivas?

Não podemos fechar os olhos e acharmos que esta carência ou até mesmo falta de investimento do setor público em políticas públicas é algo que não implica no aumento da violência. É o que diz o bom e velho ditado, caso não haja estes investimentos: “tampar o sol com a peneira”.

Não obstante, uma sociedade civilizada não pode esperar somente do setor público a solução de todo problema que a atinge. Tem-se que todos darem as mãos e acharem as soluções necessárias.

Assim, passou da hora de todos os setores da sociedade de Remanso se unirem em prol de todos, não com soluções simples, mas como um antídoto eficaz, para assim combatermos o veneno da criminalidade, antes mesmo que se alastre e tome todo corpo da nossa amada Remanso.



Por Cláudio Silas Viana, advogado criminalista.

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Pastoral da Comunicação - Paróquia Nossa Senhora do Rosário, Remanso/BA - Diocese de Juazeiro/BA

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